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domingo, 17 de agosto de 2014

A Esfinge



A ESFINGE

A esfinge de olhos brilhantes
Se assenta em seu trono dourado
E em descanso ministra o conselho
Aos que tocam seu solo sagrado

Sua palavra hoje é consultada
Por aqueles que a querem vencer
Têm sua hesitação justificada
Por horrores que os fazem tremer

Em sua mente se trava a batalha
Se debate o guerreiro onde habita
A armadura se quebra onde a espada retalha
De clangor e com fúria infinita

Dentre nós, quem não há se curvado
Clamará pela ira fatal
Para sempre estará conspurcado
Por cair em desgraça mortal

De orgulho te deves cingir
Qual vencesse incrível tempestade
Os covardes a ouvem rugir
Dos valentes respeita a vontade

Que seja sábia a resposta que deres
Nem tua língua pretensa te enganes
Pra alcançar a vaidade que pedes
Seja qual for o nome que a chames

Vigiar e punir



Pelo íngrime declive subi
Pra no fim do caminho estar pronto
Pra que todos me viessem de encontro
Decifrar e tentar descobrir

E de posse de talentos sem fim
Te guiei por mares intransponíveis
Para em todos os sentidos possíveis
Revelar o que eu aprendi

Não entrego o meu braço
Ninguém vai me levar pelo braço
Eu deixo o carrasco insistir
Pra depois mostrar como eu faço
Que todos me ouçam
Eu não cheguei aqui pela força
Sou frágil, fino, sério
Não posso ser tomado à força

Do abraço estendido pra mim
Agarrei tua mão impassível
Pra no último instante possível
Te largar sem retribuir

E liberto do teu fardo, enfim
Espalhei meu rumor inaudível
Para com insolência inadmissível
Te delatar, vigiar e punir